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Economia

Magazine Luiza diz que proposta da Centauro “foi feita de forma oportunista”

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Frederico Trajano, presidente da Magazine Luiza, diz que proposta feita pelo Centauro “foi de forma oportunista”

Frederico Trajano chamou para si a defesa da proposta feita pelo Magazine Luiza pela Netshoes, depois de a Centauro lançar uma oferta rival dois dias atrás. Presidente do Magazine Luiza, Trajano enviou uma carta ao conselho de administração da Netshoes na noite de sexta-feira (24).

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Ele afirma que a proposta da Centauro “foi feita de forma oportunista, com o potencial objetivo de prejudicar a transação”, segundo uma cópia do documento obtida pela Bloomberg . Magazine Luiza e Netshoes não comentam.

A Centauro não respondeu a um pedido de comentários feito fora do horário comercial. Na quinta-feira (23), a Centauro fez proposta pela Netshoes de US$ 2,80 por ação, avaliando a empresa em US$ 87 milhões e fazendo as ações dispararem.

O preço é cerca de 40% superior ao que o Magazine Luiza concordou em pagar pela empresa em 29 de abril — proposta que já conta com sinal verde do Cade e tem o apoio de 47,9% dos acionistas da Netshoes, segundo um documento regulatório.

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Os acionistas da Netshoes vão se reunir em 30 de maio para revisar a proposta do Magazine Luiza e a empresa de Trajano pode apresentar novos termos até lá, mas nenhuma decisão sobre isso foi tomada ainda, segundo uma pessoa familiarizada com as negociações.

“Situação financeira delicada”

Na carta, Trajano argumenta que a proposta do Magazine Luiza vem com um cronograma mais previsível para o fechamento do negócio, que poderia ser feito até junho, um fator importante dado “a delicada situação financeira da Netshoes”. Em março de 2019, a Netshoes tinha aproximadamente R$ 120 milhões em pagamentos atrasados de fornecedores e despesas, de acordo com seu balanço.

Em contraste, a oferta da Centauro pode levar mais tempo para ser analisada pelo regulador, uma vez que ambas as empresas vendem produtos similares on-line, como roupas e artigos esportivos, escreveu Trajano. O Magazine Luiza não atua nesse segmento. Trajano também incluiu na carta uma análise de seu assessor jurídico, o Lefosse Advogados, sobre as possíveis barreiras antitruste da proposta da Centauro.

“O Magazine Luiza acredita que o Conselho da Netshoes deveria considerar as implicações de proceder com uma proposta que deverá tomar um período de tempo maior para o fechamento e permanece incerta devido ao maior risco regulatório,” diz Trajano na carta.

Na sexta-feira, a Netshoes divulgou um comunicado em que afirma ter recebido uma proposta não solicitada da Centauro e que seu conselho vai revisá-la cuidadosamente, sem ter ainda uma decisão sobre qual proposta é superior. No entanto, reafirmou sua recomendação para aceitação da atual transação com o Magazine Luiza.

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Quando anunciou sua proposta, a Centauro disse que estava comprometida em fazer um acordo com a Netshoes com termos “substancialmente similares” aos do Magazine Luiza

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Economia

Odebrecht entra com maior pedido de recuperação judicial da história do País

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fachada da Odebrecht
Reprodução

A gigante que ficou famosa por seu envolvimento com casos ligados às investigações da Lava Jato deve mais de R$80 bilhões

A Odebrecht  S.A. (ODB) protocolou, nesta segunda-feira, um pedido de recuperação judicial na 1ª Vara de Falências e Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo , cujo titular é o juiz João  de Oliveira Rodrigues Filho. Segundo fontes próximas à companhia, esta foi a única opção disponível para salvar o grupo baiano depois que a Caixa Econômica Federalcomeçou a executar garantias de dívidas contraídas pela empresa, que ostentou por anos o título de maior empreiteira do país, mas que viu seus negócios ruírem quando a Operação Lava-Jato revelou o esquema de corrupção montado por executivos do grupo.

O conselho de administração do grupo passou o final de semana finalizando o pedido e detalhando a lista de credores. É o maior pedido de recuperação judicial já realizado no país, superando o da Oi, homologado em 2018, que totalizou R$ 64 bilhões.

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Os maiores credores da Odebrecht são o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, além de bancos privados. Também estão nesta lista investidores estrangeiros que compraram bônus da companhia no exterior ao logo de vários anos. Esses papéis somam US$ 3 bilhões, o equivalente a R$ 12 bilhões. Os bônus são garantidos pela construtora (OEC) e terão uma negociação separada. Com os problemas financeiros enfrentados pelo grupo depois que a Operação Lava-Jato desbaratou o esquema de pagamento de propina a políticos para vencer licitações, esses papeis perderam valor. Hoje, segundo analistas de mercado, eles valem 10% de seu valor de face.

Os bancos Itaú Unibanco e Bradesco — mais os três estatais — também têm uma dívida de R$ 12 bilhões com o grupo, mas esse débito está garantido pelas ações da Braskem, controlada pela Odebrecht. Os bancos receberam as ações da petroquímica como garantia ao reestruturarem as dívidas da companhia e injetarem mais R$ 2,5 bilhões na empresa, em 2018.

Uma fonte próxima às negociações explicou que a Caixa, diferente dos demais bancos, não tem como garantia as ações da Braskem. Por isso, o banco público vinha pressionando a Odebrecht a obter também essas garantias, que teriam que ser cedidas pelos outros bancos. A pressão da Caixa aumentou depois que a Atvos, braço sucroalcooleiro do grupo entrou com pedido de recuperação judicial, no final de maio, com dívidas de R$ 12 bilhões. Os bancos vinham tentando um acordo extrajudicial com a Odebrecht, mas acabaram não conseguindo fechar uma proposta.

A expectativa de recuperação judicial da holding cresceu depois que fracassou a venda da Braskem para a holandesa LyondellBasell, em maio passado. Segundo fontes, os holandeses desistiram com a piora da situação financeira da Odebrecht. O pedido da Atvos para entrar em recuperação judicial foi um sinal de que outras empresas do grupo poderiam ir pelo mesmo caminho. 

Além de todas suas dívidas, a Odebrecht construtora tem que pagar R$ 8,5 bilhões ao Ministério Público Federal num acordo de leniência fechado em 2016 como multa por sua conduta ilegal apontada nas investigações da Lava-Jato. Os recursos serão divididos com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) e a Procuradoria-Geral da Suíça. A empresa quer a redução dessa dívida e vai negociar em separado com o MPF, sem que o valor devido entre no pedido de recuperação judicial.

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O processo de reestruturação das dívidas foi conduzido pela RK Partners, de Ricardo Knoepfelmacher, e pelo escritório E. Munhoz Advogados, de Eduardo Munhoz.

A derrocada da Odebrecht começou a se desenhar há quatro anos, em 19 de junho de 2015, quando policiais federais prenderam o então presidente do grupo em sua mansão no Morumbi, bairro nobre da Zona Sul de São Paulo, como parte da 14ª fase da Operação Lava-Jato. No início, Marcelo Odebrecht se mostrou relutante em contribuir com as investigações e chegou a criticar a postura dos delatores três meses depois, ao prestar depoimento na CPI da Petrobras. 

No fim de 2016, no entanto, a divulgação de que 78 executivos da empresa haviam assinado acordos de delação premiada agitou o mundo político. Com o tempo, seria revelado que os delatores citaram 415 políticos de 26 partidos diferentes. A Odebrecht reconheceu os crimes de corrupção em outros 11 países, por meio do acordo com os Estados Unidos. Foi por meio do acordo que Marcelo conseguiu negociar a saída da cadeia: em dezembro de 2017, ele deixou o presídio e passou a cumprir o restante da pena em sua casa.  

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