conecte-se conosco


Economia

Justiça dá 48h para Avianca avaliar nova proposta da Azul

Publicado

em


Aeronave Avianca
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ideia da Azul prevê transformar as sete UPI em uma só e levar a leilão até o dia 20 de maio

A Justiça paulista deu 48 horas para a Avianca Brasil manifestar-se contra ou a favor à nova  proposta da concorrente Azul para compra de ativos. Divulgada na segunda-feira (13), a ideia da Azul prevê transformar as sete Unidades Produtivas Isoladas (UPI), espécie de ‘mini-Aviancas’ com slots e funcionários da empresa, numa só e levar a leilão até o dia 20 de maio a um lance mínimo de US$ 145 milhões. 

Leia também: Por falta de pagamento, tripulantes da Avianca entrarão em greve sexta-feira

Em despacho assinado na noite de terça-feira (14/5), o juiz Tiago Limongi, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista, decidiu que “tratando-se de proposta de amplamente divulgada nos meios de comunicação, o que lhe confere indiscutível notoriedade, concedo à recuperanda e eventuais interessados o prazo de 48 horas para manifestação”. Na prática, a proposta, a terceira desde o pedido de recuperação judicial da Avianca Brasil, em dezembro, abre espaço a mais uma reviravolta na crise da companhia aérea, que vem demitindo funcionários e cancelando voos em massa desde abril.

A nova proposta da Azul para realizar o leilão de ativos da Avianca gerou incertezas entre companhias aéreas concorrentes e analistas do mercado. Para o presidente da operação brasileira da Latam Airlines, Jerome Cadier, a recuperação judicial está demorando muito mais tempo que o previsto inicialmente. A consequência é aumentar o risco ‘de a recuperação judicial, no fim das contas, não recuperar nada’.

Além disso, Cadier acusa a concorrente de ‘não gostar de concorrência’ no leilão de ativos da Avianca por apostar num modelo de certame com uma só UPI. Na visão de Cadier, a participação de Gol e Latam num leilão nesse modelo seria barrada pelo Cade, órgão federal antitruste, por causa da fatia de mercado das duas – combinadas, Gol e Latam têm 69% do mercado brasileiro segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil ( Anac ).

“O principal problema da proposta da Azul é desenhar um modelo de leilão em que só ela pode participar. A proposta com sete UPIs (defendida por Gol e Latam) é mais competitiva que a opção da Azul porque a gente sabe que o Cade se preocupa com o grau de concentração de companhias como Gol e Latam. Se Gol e Latam adquirissem a totalidade da Avianca ou seguissem essa proposta feita ontem pela Azul, muito provavelmente ia passar do limite estabelecido pelo Cade “, disse Cadier.

Para Thiago Nykiel, sócio da consultoria paulista Infraway, especializada em infraestrutura aeroportuária, a proposta da Azul causa mais incerteza sobre o futuro da Avianca Brasil.

“A proposta da Azul se aprovada deve levantar menos recursos para saldar a dívida da Avianca que a anterior, defendida por Gol e Latam. Além disso, a aprovação do novo plano deve tomar tempo, jogando contra a grave situação financeira da Avianca no momento”, diz Nykiel.

A Azul defende seu plano. Em nota, a companhia diz que “a Azul esclarece que o pedido específico protocolado na última segunda-feira não invalida a proposta Elliot-Latam-Gol, já que pode transitar em paralelo”.

Críticas ao cancelamento do leilão

O cancelamento do leilão de ativos da Avianca Brasil previsto para a terça-feira da semana passada (7/5) segue causando críticas. Gol e Latam haviam comprometido investir ao menos US$ 70 milhões cada uma na aquisição das UPIs A e B, cujos slots estão concentrados em aeroportos do chamado ‘filé’ da aviação civil brasileira, como a ponte aérea Rio-São Paulo, Guarulhos, Galeão e Brasília.

Horas antes do certame, a operadora de serviços aeroportuários Swissport conseguiu uma liminar do desembargador Ricardo Negrão, da segunda câmara empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) suspendendo a venda de ativos. Na quinta-feira (9/5) os advogados da Avianca Brasil entraram com recurso contra a liminar. O pedido segue em análise no TJSP. Para Cadier, da Latam, é difícil entender o motivo da Swissport em impedir o leilão.

“É super difícil entender o motivo de um credor ir contra o próprio interesse. O interesse de qualquer credor numa recuperação judicial é receber algum recurso. Eles pararam um leilão que arrecadaria pelo menos US$ 140 milhões (cerca de R$ 550 milhões). Seria o suficiente para pagar pelo menos uma parte da dívida deles, que é de R$ 15 milhões, uma das menores entre os credores, inclusive. (A Swissport) foi contra o plano mesmo após o plano ter sido aprovado em assembleia de credores. Foi um tiro no próprio pé”, diz Cadier.

A Swissport alega que a suspensão do leilão da Avianca visou apenas “à defesa de seu crédito, à manutenção da empresa e ao recebimento rápido e eficiente de valores pelos credores, nos termos da legislação aplicável”.

Leia também: Avianca Brasil demite ao menos 200 tripulantes nesta segunda-feira

A objeção ao plano aprovado em assembleia de credores buscava, na visão da operadora de serviços logísticos, um “formato de venda que possa ser implementado de forma mais rápida e eficaz, reduzindo a litigiosidade e a complexidade operacional e regulatória, no melhor interesse dos seus credores e de todos os envolvidos”. 

Procuradas, a Gol e a Avianca Brasil não comentaram.

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Netflix decepciona investidores ao crescer menos que o esperado no trimestre

Publicado

em

por

site do netflix arrow-options
Getty Images

Receita subiu de US$ 3,91 bilhões para US$ 4,92 bi. Analistas esperavam US$ 4,93 bilhões

A Netflix adicionou menos assinantes trimestrais do que Wall Street esperava e sua base de clientes nos Estados Unidos encolheu à medida que sua programação não conseguiu atrair novos clientes, alertando investidores para a crescente concorrência.

As ações da Netflix caíram 13% no after-market desta quarta-feira (17), após a companhia divulgar resultados trimestrais e informar que perdeu 130 mil clientes dos EUA.

Saiba mais: Netflix pode ganhar US$ 1,3 bilhão por ano caso comece a ter propagandas

O serviço de streaming de vídeo dominante do mundo informou que atraiu 2,83 milhões de novos assinantes fora dos EUA, abaixo das expectativas de analistas que era de 4,8 milhões, segundo dados do IBES da Refinitiv. Analistas previam ganho de 352 mil nos Estados Unidos.

A Netflix previu crescimento de 7 milhões de clientes pagos no terceiro trimestre, com a ajuda de uma nova temporada do thriller sobrenatural “Stranger Things”, lançada em 4 de julho. Isso é mais otimista do que os 6,6 milhões previstos pelos analistas consultados pela Refinitiv.

Lista dos mais ricos do mundo é atualizada e Bill Gates perde segundo lugar

O lucro líquido caiu para US$ 270,7 milhões (US$ 0,60 por ação) no trimestre encerrado em 30 de junho, ante US$ 384,3 milhões (US$ 0,85 por ação) um ano antes. Já a receita total subiu de US$ 3,91 bilhões para US$ 4,92 bilhões. Analistas, em média, esperavam receita de US$ 4,93 bilhões.

Segundo o estrategista-chefe da Avenue Securities, William Castro Alves, um dos pontos de preocupação do mercado em relação à Netflix é que um menor crescimento coloca em xeque a solidez de seu balanço. Ele lembra que a empresa possui uma dívida total de US$ 12,6 bilhões e uma caixa de US$ 5 bilhões. Só neste primeiro semestre, a empresa queimou  mais de US$ 1 bilhão em atividades operacionais e investimento.  

“Quando há crescimento, é mais fácil contar com a leniência dos credores, mas e quando esse crescimento não vem? Como ficam as promessas de reverter a queima de caixa?  A empresa justificou a falta de crescimento pelo aumento de preços  que fez em algumas regiões e não vê problema na concorrência. Mas como fica a rentabilidade futura se a base de assinantes não cresce?” questiona Castro Alves.

Continue lendo

Polícia

Política MT

Política Nacional

Polícia Federal

Mais Lidas da Semana