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Política Nacional

Bolsonaro inicia busca por trégua após inflamar manifestações contra o centrão

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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil – 26.5.19

Manifestação pró-Bolsonaro em Brasília contou com ‘presidente de papelão’ e boneco inflável

Manifestantes tomaram as ruas de mais de 100 cidades  em todos os 26 estados e no Distrito Federal para expressar apoio ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) neste domingo (26). Os maiores atos ocorreram na Avenida Paulista, em São Paulo, em Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

As manifestações tiveram como principal bandeira o protesto contra integrantes dos Poderes Legislativo e Judiciário. Foram eleitos como maiores alvos os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), respectivamente, e os deputados do chamado centrão –  grupo que tem patrocinado derrotas do governo no Congresso e que reúne partidos como DEM, PP, PR, SD, PRB e PSD. 

Maia inspirou a criação de um boneco inflável de 3,5 metros de altura, levado à manifestação no Rio de Janeiro. Quem também viu sua representação ser inflada por apoiadores foi o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro , um dos nomes mais exaltados ao longo do dia – como tamém o foram Paulo Guedes, ministro da Economia, e o próprio Bolsonaro.

Vestidos de verde-amarelo e carregando bandeiras do Brasil, milhares de manifestantes defendiam a aprovação da reforma da Previdência – que anda a passos lentos na Câmara – e do pacote anticrime apresentado por Moro ao Congresso . Também houve coro pela instauração da CPI da Lava Toga, que visa apurar a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outros integrantes do Poder Judiciário.

As  manifestações foram convocadas por grupos como o Nas Ruas – encabeçado pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP) –, Patriotas Lobos Brasil, Avança Brasil, Ativistas Independentes, Movimento Brasil Conservador e Direita São Paulo.

Grupos com maior estrutura, como o Movimento Brasil Livre ( MBL ) e o Vem Pra Rua, que, no passado, promoveram manifestações em apoio a Bolsonaro, não entraram na articulação dos protestos desta vez. O MBL, em nota, justificou seu não envolvimento com a “estranha manifestação” alegando que os atos têm “pautas antirrepublicanas”, tais como a defesa do fechamento do STF.

Leia também: “Estamos em guerra”, diz deputada do PSL em ato pró-Bolsonaro em Copacabana

No Rio de Janeiro desde sexta-feira, Bolsonaro não participou de corpo presente das manifestações. Mas desde cedo usou as redes sociais para inflamar seus apoiadores .

Ao participar de um culto na Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, o presidente disse que os atos representavam a “defesa do futuro” do País. “Hoje, por coincidência, é um dia em que o povo está indo às ruas não para defender o presidente, um político ou quem quer que seja. Ele está indo para defender o futuro desta nação”, disse.

Pelo Twitter, seu principal canal de comunicação, Bolsonaro compartilhou vários vídeos e mensagens, enaltecendo os protestos, mesmo sabendo que eles atingiam aliados importantes no Congresso.

Já pelo fim do dia, conforme os manifestantes se dispersavam Brasil adentro, o presidente passou a mudar o tom . “Há alguns dias atrás, fui claro ao dizer que quem estivesse pedindo o fechamento do Congresso ou STF hoje estaria na manifestação errada. A população mostrou isso. Sua grande maioria foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os fatos”, escreveu Bolsonaro, às 16h48.

Já à noite, o presidente começou a pregar a pacificação do País, colocando-se no “mesmo barco” que aqueles políticos atacados durante todo o dia nas ruas.

“Os brasileiros foram pacificamente às ruas para nos cobrar. Sinal que a sociedade não perdeu as esperanças de que nós políticos escutemos sua voz. Não podemos ignorar isso. É hora de retribuirmos esse sentimento. Estamos todos no mesmo barco e juntos podemos mudar o Brasil!”, publicou.

Leia também: Grupo pró-Bolsonaro arranca faixa com dizeres “Em defesa da Educação”, na UFPR

Confira como foram os principais atos deste domingo:

Brasília


Boneco inflável de Moro
Reprodução

Boneco inflável do Super-Homem com o rosto do ministro Sérgio Moro


Em uma manhã de sol, os apoiadores se concentraram no gramado da Esplanada dos Ministérios, na altura do Palácio Itamaraty. Cinco carros de som ocupavam a pista com mensagens em apoio à agenda do governo federal como a Medida Provisória 870, da reforma administrativa, a reforma da Previdência Social (Emenda Constitucional nº 6/2019) e os projetos de lei que compõem o pacote anticrime. Os manifestantes também declaravam apoio à Operação Lava Jato e pediam a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Cortes Superiores, conhecida como Lava Toga.

A manifestação – convocada por movimentos como Ordem e Progresso; Limpa Brasil; e Organização Nacional dos Movimentos – foi marcada pela diversidade de participantes que criticavam o Supremo Tribunal Federal (STF), protestavam contra o Congresso Nacional e lideranças parlamentares. Alguns manifestantes defendiam a volta do regime monarquista.

Havia faixas também com dizeres favoráveis ao ministro Paulo Guedes e um boneco inflável de 20 metros que misturava a imagem do ministro Sergio Moro com o personagem de quadrinhos e cinema Super-Homem. De acordo com a Polícia Militar, o ato reuniu entre 15 e 20 mil pessoas.

Leia também: Manifestantes fazem oração no local em que Bolsonaro foi esfaqueado em Minas

São Paulo
Diversos movimentos estacionaram carros de som ao longo da Avenida Paulista, na região central da capital, para o ato de apoio ao governo de Jair Bolsonaro. Próximo ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), foi inflado um boneco gigante do presidente.

A polícia não fez estimativa de público. Um dos carros de som, do movimento Brasil Conservador, trazia um grande cartaz com uma fotografia de Jair Bolsonaro. Um caminhão verde-oliva foi estacionado em uma das calçadas da via por um grupo que pede intervenção militar.

A maioria dos manifestantes que caminhava pela avenida, que aos domingos fica fechada para os carros, usava roupas verde-amarelas ou estava enrolado na Bandeira Nacional. Vários participantes levavam faixas e cartazes com as pautas do protesto, como o apoio à reforma da Previdência e ao pacote anticrime, apresentado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. Um grupo de motoqueiros passou em carreata pela Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, que corta a Paulista.

Leia também: Monarquistas e esqueletos dividem espaço em ato pró-Bolsonaro na Av. Paulista

Rio de Janeiro


Rodrigo Maia
Reprodução/Twitter

Boneco do Rodrigo Maia é levado ao ato pró-Bolsonaro no Rio


Os manifestantes fizeram a concentração no Posto 5 da orla de Copacabana e se espalharam até o Posto 4. Durante a manifestação, que começou às 10h, as únicas faixas liberadas para o trânsito também foram ocupadas. Aos domingos, as faixas junto à praia são interditadas para área de lazer e as do canto, perto dos prédios, ficam liberadas aos motoristas.

Os participantes do ato começaram a chegar ao local por volta das 9h. Muitos deles vestiam roupas com as cores verde e amarela e carregavam faixas. Muitos levavam bandeiras do Brasil, que também estavam expostas nas fachadas de prédios. Ao longo das pistas, ambulantes vendiam produtos como cornetas, apitos e bandeiras, cujos valores variavam de R$ 5 a R$ 30.

A Polícia Militar não calculou o número de manifestantes. Mas agentes presentes ao local informaram que não foi necessário reforçar o esquema de policiamento de rotina realizado pelo 19º Batalhão de Polícia Militar (BPM) para os fins de semana na orla de Copacabana. Houve apenas o apoio do 2º BPM (Botafogo) e 23º BPM (Leblon) em áreas desses dois bairros próximos. A Guarda Municipal também estava presente para orientar o trânsito e participar do patrulhamento.

Leia também: ‘Ninguém governa sozinho’, diz líder do DEM após atos a favor de Bolsonaro

Aracaju
O ato na capital sergipana foi organizado pelo núcleo estadual do PSL e pelo movimento Sergipe com Jair Bolsonaro. Os manifestantes se reuniram, a partir das 15h, no Mirante da Treze de Julho, na Avenida Beira Mar. 

Um vídeo veiculado no perfil do movimento mostra trechos da manifestação, em que pessoas seguram cartazes com os dizeres “Capitão, nenhum soldado desistiu da batalha. Estamos com você até o fim”, “Centrão, nós vamos dissolver vocês, um a um” e “A única coisa que coloca medo em político é o povo na rua”. Outras comparecem agitando bandeiras do Brasil e de Israel.

De acordo com José Egnaldo Chagas De Souza Junior, representante do movimento, 5 mil pessoas estão presentes no ato. A reportagem também procurou a Polícia Militar a fim de obter o número de participantes, mas a corporação disse que não informa estimativas de público. 

Curitiba
Em Curitiba, a manifestação teve como ponto de partida a Praça Santos Andrade, onde está localizado um dos campi da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Por volta das 16h30, o grupo seguiu em direção à Praça Zacarias, a dois quilômetros de distância. Segundo o advogado Thiago Chamulera, um dos organizadores que afirma prezar pela “imparcialidade”, do que decorre sua escolha pelo afastamento de “grupos políticos”, o corpo de manifestantes foi aumentando, à medida que avançavam ao segundo local. Ele estima que, quando deixou o ato, por volta das 17h40, 20 mil pessoas se encontravam ali.

Na galeria de fotos e vídeos da página do evento no Facebook, é possível ver manifestantes vestindo camisetas com mensagens como “Curitiba sem mimimi” e o número 17 estampado nas costas, em referência ao número utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro nas eleições. Um participante portava um cartaz que dizia: “Um novo Brasil começa a surgir… Os verdadeiros brasileiros agradecem!”

De acordo com os organizadores, o ato reuniu 15 mil pessoas. A Polícia Militar do estado, no entanto, informou que não faz estimativa de manifestantes em protestos.

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Política Nacional

Procuradores votam hoje indicação para a PGR, mesmo sem compromisso de Bolsonaro

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candidatos à PGR
Divulgação/ANPR

Dez candidatos concorrem à indicação para lista tríplice da PGR; votação ocorre nesta terça-feira

Cerca de 1.200 procuradores de todo o Brasil votam nesta terça-feira (17), das 10h às 18h30, em seus favoritos a compor a lista tríplice para o cargo de chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR). Dez candidatos concorrem oficialmente ao posto atualmente ocupado por Raquel Dodge – que também corre por fora para ser reconduzida ao cargo mesmo estando de fora da lista.

A lista tríplice tem sido respeitada desde 2003 pelos presidentes da República do período (Lula, Dilma e Temer), mas o atual chefe do Poder Executivo, Jair Bolsonaro (PSL),  não se comprometeu a seguir a indicação dos procuradores ao definir quem assumirá a PGR a partir de setembro – o que abre brecha para a recondução de Dodge.

A atual detentora do cargo – responsável por representar o Ministério Público Federal (MPF) em processos junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e por denunciar suspeitos com prerrogativa de foro privilegiado, tais como deputados, senadores e ministros – disse, na semana passada, que “está à disposição” para o caso de Bolsonaro querer mantê-la na função .

Em debate realizado no último dia 4 em São Paulo , os reforçaram a importância da lista tríplice , fazendo apelo para que todo o processo de votação não seja em vão. Dodge não participou de nenhum dos debates promovidos pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que organiza a votação. 

 “A lista é um progresso para o País. Isso é reconhecido por todas as forças políticas. Ela garantiu maior visibilidade, com os candidatos expondo de maneira aberta não apenas para os colegas, mas para a sociedade como um todo, por isso, você tem uma pessoa que sairá não só com a liderança da casa, mas também com respeitabilidade técnica e independência”, defendeu o procurador regional José Robalinho Cavalcanti, que era presidente da ANPR até o mês passado.

Raquel Dodge
Divulgação/Governo de Transição

Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em conversa com o presidente Jair Bolsonaro

Na votação desta terça, cada um dos votantes pode escolher para sua lista até três candidatos dentre os dez postulantes ao cargo – o maior número de candidatos já registrado desde 2001.  O resultado da votação deve ser divulgado logo após o término da eleição. Após Bolsonaro escolher seu indicado, o nome será ainda avaliado pelo Senado.

São candidatos a assumir a PGR: 

  • Vladimir Aras , procurador regional. Foi secretário de cooperação jurídica internacional da PGR durante a gestão de Rodrigo Janot;
  • José Robalinho Cavalcanti , ex-presidente da ANPR. É procurador regional em Brasília e já atuou como auditor do Tribunal de Contas da União;
  • Antônio Carlos Fonseca , subprocurador-geral da República. Atua no Superior Tribunal de Justiça na área de direito público;
  • Blal Dalloul , membro do MPF há 34 anos. Atua no 30º Ofício Criminal da Procuradoria Regional da Republica na 2ª Região (PRP2);
  • José Bonifácio de Andrada , vice-presidente do Conselho Superior do MPF, foi também vice-procurador-geral da República em 2016;
  • Lauro Cardoso , ex-oficial das forças especiais do Exército. Foi secretário-geral do MPF por seis anos;
  • Luiza Frischeisen , eleita para o Conselho Superior do Ministério Público Federal, Luiza coordena a 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF;
  • Mario Bonsaglia , membro do MPF desde 1991, integra a 6ª Câmara de Coordenação e Revisão desde o ano passado;
  • Nívio de Freitas , atuou na força-tarefa da Lava Jato em processos junto ao STJ, em 2015. Atualmente, Nívio é coordenador da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF;
  • Paulo Eduardo Bueno , foi advogado de presos políticos e diretor da Associação dos Advogados Latino Americanos pela defesa dos direitos humanos. 

Além dos candidatos oficiais, outros nomes despontam como possíveis surpresas para a indicação do presidente Bolsonaro à PGR . É o caso, além de Dodge , do subprocurador-geral Augusto Aras, que foi procurado há poucas semanas para conversa com dois filhos do presidente , o senador Flávio e o deputado Eduardo, conforme reportou a IstoÉ . Também podem surgir como surpresas os procuradores Guilherme Schelb (defensor do Escola sem Partido) e Ailton Benedito (que tem simpatia de Olavo de Carvalho).

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